Liberte-se
Uma coisa eu te digo: seja lá o que for fazer, não esqueça: faça com amor! Nada mais triste, chato e insuportável, do que estar perto de uma pessoa que não gosta de fazer o que faz. Não interessa o motivo. Se você não gostar do que está fazendo, não adianta! Não vai render, não vai ser legal nem pra você e nem para quem está a sua volta. Pode ser que você tenha que replanejar algumas coisas em sua vida, como eu fiz. Já contei aqui que decidi investir em outra formação acadêmica, pois não queria passar a vida inteira tendo que me adaptar a algo que escolhi no passado, mas, porém, não me satisfazia. Não interessa se você já investiu um tempo naquilo. E dai? Por causa disso você é obrigado a fazer o resto da vida algo que não te alegra? Não é uma questão pura e simplesmente de dinheiro, de prosperidade e retorno financeiro. Estou falando de preenchimento da alma. Sabe aquela pessoa que você olha pra ela e ela está fazendo algo com tanto prazer que você fica até com vontade de fazer o mesmo? Então, é assim que você e eu precisamos trabalhar! Quando você está numa luta sem fim para "engolir" o que está fazendo, ops! Algo está errado! Não estou dizendo que aquilo que você escolheu fazer e te traz satisfação não terá nenhum ponto a ser superado, não é isso, não seja ingênuo! Porém, quando você faz o que gosta, o que ama, ah! Que delícia é passar pelos obstáculos, superá-los, enfrentar os desafios e encarar a vida como ela é, pois, você está fazendo o que sua alma pede para fazer. Agora, quando você faz algo contrário a isso, está no lugar oposto ao que sua alma queria que você estivesse. Não tem jeito! Você pode estar ganhando um milhão por hora, não vai estar satisfeito! Sei que falar de dinheiro é um pouco complicado, pois, além de precisarmos dele, há a questão da cegueira que envolve as pessoas quando o assunto é esse.
Mas, por um momento pense comigo: suponha que não existe dinheiro (é um exercício, que estou propondo, vamos lá), tudo o que você precisa, você tem e a sua profissão/trabalho/ofício não dependem do valor monetário, você vai escolher aquilo que ama fazer e não o que "dá dinheiro". Pensou? Então me diz, o que você faria se não precisasse pensar no retorno financeiro? A resposta disso é o que você ama fazer com todo o seu coração. Sabe qual uma das minhas respostas para essa questão? Eu ficaria conversando com as pessoas, ouvindo suas histórias, "jogando conversa fora", sabendo os motivos que as levaram a ser como são, iria aos asilos conversar com os velhinhos e doar um pouco de amor e atenção a eles, ficaria um tempo de boa num parque, num lago, caminhando, andando tranquilamente pela natureza. Que mais? Falaria com as flores, com as árvores. Brincaria com as crianças e escutaria suas histórias. Ajudaria as famílias a se entenderem, pais conversarem com os filhos, irmãos conversarem entre si, marido e mulher a compreenderem uns aos outros, enfim, isso é um pouco do que eu faria se não precisasse pensar em mais nada, só fazer e pronto. Outra coisa que faria por amor, para saciar minha alma: escrever livros, poemas, poesias, conversar e confortar as pessoas, ouvir suas histórias (repetindo o que já falei, viu como eu gosto). Com isso eu te digo: encontrei o que amo fazer e escolhi a profissão que mais me possibilita fazer cada uma dessas coisas: a Psicologia.
Não é por um acaso que sou escritora. Tenho a alma voltada a entender o ser humano e por isso escolhi a Psicologia, por isso escrevo, por isso eu amo ser o que sou e como sou. Além disso, não foi "do nada" que escolhi o Direito primeiro, é que as injustiças fazem doer o meu coração, me fazem sofrer, e foi essa primeira profissão que pensei que poderia ajudar o mundo a ser melhor.
Tudo na vida tem uma razão de ser. Você gosta do que gosta e é o que é por algum motivo. Eu, igualmente. A questão principal aqui é: você sabe do que gosta? Você está em sintonia com a sua verdade? Se já descobriu as respostas, então, comece a caminhar em direção ao que você verdadeiramente é. Seja sincero consigo. Não esconda de si mesmo e nem dos outros aquilo que te faz feliz. É nisso que te satisfaz que Deus irá usar os seus talentos e dons para ajudar aos outros. Pode ser que você seja muito bom com as artes, com a música, com a palavra ou com a comida. Sei lá. Você sabe. Sempre é possível fazer o bem ao mundo com aquilo que você faz de melhor. A única coisa que precisa é saber o que é isso.
Sempre acontece um fenômeno na sociedade que é cíclico. Se você foi muito reprimido por seus pais, vai querer ser mais liberal com seus filhos, por outro lado, seus filhos, se forem muito "soltos" por ai na vida, vão tentar corrigir isso com os filhos deles e irão prendê-los um pouco mais, como seus pais fizeram. Assim é a vida. Há uma roda gigante sem fim nisso tudo. Se seus pais lutaram contra a ditadura e não tinham liberdade, você nasceu num período que a liberdade era demais e sem filtro para nada, o período seguinte será, provavelmente, um misto entre voltar para a falta de liberdade (ditadura) e ter liberdade desacerbada (libertinagem), o que seria o ideal?O equilíbrio meus caros, o equilíbrio! E qual o motivo de ter tocado nesse assunto agora, que aparentemente nada tem a ver com o texto. Simples: você é fruto do hoje, do ontem, do amanhã. Suas escolhas são influenciadas pelo que seus antepassados fizeram, pelo que sua geração está fazendo e por aquilo que a próxima geração já está caminhando para fazer, logo, você não escolhe sozinho, pode até pensar que sim, mas não é assim que funciona. Aquilo que você faz hoje é fruto de uma série de fatores.
Pode ser que você tenha escolhido uma profissão que tenha mais a ver com o que dava segurança aos seus pais, na época deles. Sabe o resultado disso? Você escolhe algo que não tem nada a ver com a sua identidade. Nisso, acaba se perdendo no caminho e não se reconhece.
Hoje fazemos parte de um período de transição. Junto de nós estão: nossos antepassados, nossos pais, avós, bisavós e o que eles construíram até aqui. Além disso, tem a nossa geração, que, via de regra, contraria tudo o que os anteriores fizeram e querem fazer tudo diferente (mas mesmo que você questione alguma ou muitas coisas, nem tudo que eles fizeram estava errado). Além disso, há uma mistura quase imperceptível do que você faz com o que a próxima geração vai fazer. Você não percebe com tanta facilidade, pois é muito sutil, mas a próxima geração já chega questionando o que você está fazendo, para eles você já é passado e eles que estão certos. Se quiser testar isso, faz o seguinte: converse com umas gerações anteriores, procure uns idosos e deixem eles falar o que pensam sobre a vida, vai ver que é muito diferente do que você pensa, você vai achar que é "a pessoa adiantada e que conhece tudo da atualidade", depois disso, faz o oposto: converse com um adolescente e veja o que ele pensa sobre tudo, dai você vai achar que está velho e ultrapassado. Viu como o equilíbrio se faz necessário? Não podemos pensar como os idosos somente e nem como os adolescente. Por outro lado, a experiência do idoso nos ensina muito e os questionamentos do jovem adolescente nos mostra o que está certo e o que não está no caminho que a nossa sociedade e nós em geral estamos fazendo.
Pois bem, e o que isso tudo tem a ver com o que escrevi inicialmente? Seguinte: para você descobrir de verdade o que te faz feliz e entender os motivos que escolheu o que não te faz tão feliz assim, faça o que proponho: converse com as gerações anteriores, você entenderá os motivos de tudo ser como é hoje. Depois, converse com as próximas gerações, os adolescentes e jovens, eles irão mostrar tudo o que está errado agora e você não vê, pois faz parte do que está errado, é a sua geração que está fazendo o que é errado. O jovem vai olhar para frente e avaliar de forma mais critica isso, por um simples motivo: para ele tudo é novo. O idoso vai te passar a experiência e mostrar as coisas como eram e isso te dará um ideia do porque você fez o que fez até hoje, pois de certa forma é fruto do que eles acreditavam, assim como a geração seguinte será fruto do que você acredita, é cíclico!
Por fim, concluo com o meu exemplo: por que eu escolhi algo que hoje não vejo como uma profissão que me representa? Simples: eu escolhi o clássico, o que daria orgulho a mim, a meus pais, a sociedade e deixaria "todos felizes". Ser advogado nos primórdios era sinal de posse, poucos podiam estudar e tornar-se um advogado. Advogada então, nem se fala. Faz pouco tempo na história da humanidade que mulher adquiriu o direito de pensar e mostrar sua opinião. Com isso, é um orgulho e motivo de vaidade pessoal, intelectual, familiar, enfim, de toda a ordem, ser advogada. Sou fruto das gerações anteriores. É bonito ser advogada, sobretudo num momento em que o culto ao corpo tem sido desacerbado, mostrar que você tem uma profissão que exalta a intelectualidade é um motivo de orgulho. Porém, as coisas sempre mudam. O mercado de trabalho não é estático, as pessoas também não. Ser advogada pode ser uma honra, e é, porém, não é para todos. Nem todo o mundo é essencialmente feito para isso. Você pode não se conformar com injustiças, porém, não precisa ser advogado ou advogada para demonstrar isso. Há militantes de causas sociais que não são advogados e advogam muito mais a causa das minorias do que os advogados, por exemplo.
Enquanto estava escrevendo esse post li uma reportagem que você pode ver no link leonardo-goncalves-anuncia-hiato-sem-prazo-para-retorno. Essa notícia muito me alegrou, sabe o motivo? É que ele está fazendo exatamente o que eu tenho falado bastante aqui no blog: indo de encontro a sua essência. Que importa se "todo o mundo" procura fama? Ele está fazendo aquilo que quer fazer, o que seu coração, sua alma pedem. Não importa se "todo o mundo" quer fazer justamente o que ele está deixando para trás, Leonardo quer seguir seu coração e pronto. Que possamos ter mais pessoas honestas consigo mesmas no mundo a partir de agora.
Desejo que você consiga fazer aquilo que realmente te fará feliz, preencherá a sua alma. Pode ter certeza, se você fizer isso, estiver de acordo com a sua essência, vai poder servir muito melhor, pois, uma pessoa feliz e dentro da sua missão, chamado ou como queira chamar, produz muito mais e muito melhor. Deus nos quer sorrindo.
Ana Paixão

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