Por que é tão difícil acessarmos nossos traumas?

A resposta a essa questão é complexa, como a maioria das coisas que estão relacionadas ao nosso inconsciente, mas, vamos seguir aqui uma linha de raciocínio. Pois, mexer com nossos traumas requer energia para lidar com a dor e, até certo ponto, com a nossa incapacidade de olhar para ela. 

Não é confortável olhar para si e admitir-se vulnerável. Estar diante de nossos traumas, quer dizer que iremos encarar nossos medos mais profundos e inconscientes. 

Tudo aquilo que podemos racionalizar, podemos dizer que está em nível consciente. De alguma maneira, sabemos o motivo de existirem. No entanto, quando falamos de aprofundar nos porões de nossa alma, lidamos com aquilo que está em nível inconsciente e se está lá, é porquê o registramos em algum momento de nossa jornada e lá deixamos por não sabermos como lidar com o assunto. 

Quando o inconsciente traz a tona algo que estava, até então, escondido, isso quer dizer que já existe força no ser para lidar com aquela situação. Porém, isso não quer dizer que o processo é indolor, muito pelo contrário, quanto maior o trauma, proporcionalmente será a dor que ele traz em si.

Digamos que o consciente seja a ponta do iceberg e o inconsciente o que está bem mais fundo. A medida que ganha fôlego, pode mergulhar mais profundamente em seu ser, e deixa de fazer processos rasos em seu autoconhecimento. Mas, para que seja viável esse mergulho, você precisa ser um mergulhador experiente. Não irá se aventurar em águas profundas se não puder fazer isso.

Nesse processo, haverá situações que irão proporcionar a você olhar para aquilo que está mais profundo em seu ser, porém, paralelamente a isso, também, ocorrerão os sabotadores da alma, que irão desencorajá-lo a continuar. Conforme continua sua caminhada em seu processo evolutivo, você vai ganhando forças para descer um pouco mais. 

Não sabemos o quão profundas são nossas dores e nem temos real noção de sua origem. É por isso que julgamos esse processo "lento", mas, ele não é "lento", acontece no ritmo que sua psiquê permite se aprofundar.

Assim, não se preocupe com a velocidade, mas com a constância. Siga, no seu ritmo, conforme pode encarar essas águas profundas do seu ser. Tudo é como tem que ser e não há necessidade em se preocupar com o tempo (unidade de medida que não faz sentido para o inconsciente).

Muito mais importante do que o tempo e o caminho, é o caminhar. Continue o processo, sem olhar para nada além daquilo que pode nesse momento. Tudo aquilo que for contribuir para a sua evolução e estiver de acordo com o seu grau de adiantamento, será a você apresentado. Assim é!

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